Como ter ideias para construir interfaces digitais que realmente tragam soluções

Identifique, com um simples Briefing, as questões emocionais que estão por trás dos problemas de seus clientes e se torne um mestre em resolvê-los

alice

Eae! Td bele?

Hoje irei falar sobre algo fundamental para construção de qualquer interface digital. E este algo é ouvir seus clientes a ponto de entender suas angústias.

 “Que?? Como assim David??” 

Saiba que esse “entender suas angústias” não significa seguir a risca e concordar com tudo o que ele fala.

“Se não sabe para onde quer ir, então, não importa que caminho tomar”. 

Gato Chesire para Alice em Alice no País das Maravilhas

Lewis Carroll

E sabia que em grande parte do tempo nem eles sabem o que querem?

É, isso mesmo! A maioria deles não sabem!!!

Mas uma coisa eles querem…Ah, como querem! E isso se chama RESULTADOS.

Para chegar ao resultados, você deve ter a sensibilidade de interpretar tudo que seu cliente diz que deseja, abordando questões que possam extrair as causas raízes de suas angústias. E a partir daí identificar os reais problemas que impedem seus clientes de obter resultados.

Mas talvez algumas pessoas me questionem:

“David, que coisa é essa de entender angústias de clientes? Não é melhor perguntar as cores que ele quer no site, o que ele quer colocar na interface e desenvolver o mais rápido possível?”.

Bom, se você quer agradá-lo em um primeiro instante, sim! Essa pode ser uma boa maneira. Mas você pode e deve ir além.

e você quer oferecer resultados duradouros que encantarão seus clientes e impedirão que você seja só mais um entre tantos que pensam da mesma maneira, te convido a continuar lendo. Blz?

Então, relaxa e vem comigo.

Neste artigo trataremos sobre:

O grande problema de olhar só para seu umbigo

Existe uma maneira que considero eficiente para os iniciantes sem vínculos empregatícios conseguirem desenvolver suas primeiras páginas de internet. Esta maneira é construir sites para amigos, comerciantes de seu bairro, ou um projeto pessoal.

Afinal, o mais importante no começo é criar e mostrar o que é criado. É preciso criar um portfólio que venha ser apreciado pelas agências.

banner06 Porque você deve ter seu Portfólio pronto para ontem!!

Mas o grande problema, nas maiorias dos casos, reside na ânsia de mostrar suas habilidades recém-adquiridas nos tutoriais de internet. Esta ansiedade faz o dedo tremer para ligar o computador, para clicar no ícone de Photoshop ou abrir um editor HTML e desenvolver a primeira coisa que venha a cabeça.

Querem de qualquer maneira aplicar aquele efeito fantástico do Photoshop (uhu! Que chanfro 20px legal!) visto na última vídeo-aula que vai deixar o site assim ou assado. Querem implementar a moda do momento que faz o layout girar e dar outros inúmeros movimentos capazes de fazer um visitante portador de labirinte entrar em crise de vômitos em instantes.

Galucho, se você se enquadra no perfil citado acima, desacelere. Calma…Relax!

Pare de olhar somente para o que você é que capaz de fazer e foque em que suas incríveis habilidades podem ser úteis na resolução dos problemas de seus clientes e dos clientes de seus clientes.

É muito importante você dominar estas incríveis ferramentas para construção de interfaces, mas deve existir um propósito para tal aplicação. E o primeiro propósito antes de você começar um projeto é entendê-lo: entender os objetivos e identificar os problemas para assim entrar em campo já com o jogo ganho só restando trazer resultados.

Olhe para o cliente → Entenda suas angústias → Entregue resultados.

E uma boa forma de começar a entendê-lo é fazendo as perguntas certas. Isso mesmo, perguntas! E caso você não conheça, existe uma ferramenta amplamente usada que pode te ajudar nesta tarefa. Vamos conhecê-la?

A importância do Briefing

O Briefing é uma ferramenta para coletar  os dados fornecidos por seu cliente. Através destes dados é possível conseguir informações que auxiliem na identificação de problemas e consequentemente desenvolver ações que tragam soluções de forma efetiva.

É importante sua aplicação porque com ele se determina o que pode ser feito, o que é proibido e todo conceito que a interface do site deverá transmitir aos visitantes.

Lógico que você , meu caro Galucho, que quer mostrar de forma independente a que veio ao mundo, terá que construir sozinho um briefing amplo que visa abranger os diferentes aspectos para construção do projeto. Diferentemente de uma agência que nem sempre se trabalha sozinho em um projeto.

Lá (nas agências) geralmente existe uma equipe multidisciplinar para atender a demanda. E para compreensão do projeto, além do Briefing principal, podem ser necessários briefings complementares para cada setor envolvido.

Aí você me pergunta:

“David, vou ter que criar um briefing para aquele pequeno site do dono da padaria?”

E a resposta é SIM!!!

Se você quiser crescer vá aplicando seus conhecimentos desde já. Faça disso um hábito, independente do tamanho do projeto e mesmo que você não tenha nome para cobrar muito. Imagine o lado bom:
Você estará cada vez mais preparado para o mercado e o seu portfólio terá mais projetos de qualidade.

Agora que você já sabe da importância do briefing está na hora de saber quais os elementos principais a se considerar durante a elaboração de um briefing para a construção de um site. Vamos lá?

Identifique os reais problemas indo além do método ordinário de elaboração de Briefing

Não existe uma regra geral para elaboração de um briefing . Tanto que ele é usado por diferentes áreas do conhecimento humano, como por exemplo, Publicidade, Design, Marketing, entre outras.

Geralmente para construção de sites os tópicos mais comuns que podem ser levantados são:

  • História relacionada à atuação no mercado do cliente marca ou empresa;
  • Objetivos de comunicação da empresa;
  • Se a empresa já possui site. Se sim, procure saber qual url, qual hospedagem e o que incomoda , para o cliente claro, no site atual;
  • Objetivo do website (vender, informar, entreter, etc.); 
  • Identificar quais são os produtos ou serviços, as vantagens e pontos fracos dos mesmos;
  • Identificar quem são os concorrentes de seus clientes, quais são as vantagens e pontos fracos dos seus produtos ou serviços;
  • Perguntar sobre aspectos visuais para o site: se já existe logo ou um padrão de identidade visual, cores, algo admirado em outros sites, algo a ser evitado, entre outros;
  • Quem fornecerá conteúdo textual, imagens, vídeos, etc;
  • A área geográfica que o site irá atingir. Isso é importante para ações de SEO e ações de marketing para buscas locais.;
  • Verificar também o orçamento e tempo destinado para o projeto.

Além dos tópicos citados acima um item que considero de suma importância é a investigação do público alvo. E aqui vai minha queixa.

Acredito que se deva evitar fazer as coisas de forma ordinária. Quando digo ordinária, quero dizer no sentido comum, simplório e sem uma investigação mais intensa que o público alvo merece. Afinal, é ele que consome e paga por nossos produtos direta ou indiretamente.

Devemos ser intensos também em investigar através do briefing quais as dores, (lembra-se das angústias?) do nosso cliente, identificar o que faz tirar o sono daquele que responde ao briefing.

“E porque de tudo isso David?”

Porque os tópicos para elaborações do briefing citados anteriormente pode até garantir a usabilidade e uma boa experiência de navegação, mas não podem garantir que os usuários se emocionem, interajam, compartilhem, comprem e voltem ao site.

O briefing deve identificar também as dores que devem ser sanadas através de relacionamentos que gerem confiança.

Não existe mais espaço para uma interface funcional, mas fria e formal demais. Estamos conversando com pessoas. Temos que proporcioná-las incríveis e satisfatórias experiências.

Saiba que existem conceitos de persuasão e confiança que quando aplicados em interfaces podem tornar um site muito mais atraente. E um briefing que considera os aspectos emocionais de cada problema pode ajudar na aplicação destes conceitos (Saiba mais no bloco abaixo assim que terminar este artigo).

O que pode tornar um Briefing mais eficiente?

Além dos itens citados no tópico anterior, devemos facilitar a quem, pode ser até você mesmo, for interpretar os dados colhidos no questionário para que este consiga desenvolver algo criativo.

“Mas como fazer isso? “

Extraindo através do briefing questões emocionais escondidas atrás das razões que envolvem o problema.

Para fonte de estudos primeiro vamos focar no seu cliente. O que podemos abordar?

É possível que seu cliente possa estar cheio de problemas decorrentes da atual comunicação que o site transmite. Pergunte a ele coisas do tipo que possam remeter a respostas levadas a emoção, por exemplo, caso ele já tenha site:

  • Em relação ao seu negócio qual sua maior preocupação, o que te faz perder o sono, quais são suas maiores angústias?
  • O que te chateia no seu site e por quê? 
  • O que você gostaria que as pessoas que visitam seu site descrevessem sobre ele se o mesmo estivesse do jeito que você deseja?
  • Como você se sente quando seu site atual não atinge seus objetivos?
  • Você consegue identificar por que seu site não atinge os objetivos?
  • Quando você olha para seu site qual adjetivo negativo você daria a ele?
  • Quais são as coisas responsáveis por fazer você acreditar que seu site não atinja os objetivos?
  • Como você se sentiria se seu site atingisse os objetivos propostos?
  • O que sua empresa está perdendo ao não atingir os objetivos?
  • Quais os benefícios sua empresa teria se seu site atingisse os objetivos?
  • Se seu site fosse uma pessoa como você gostaria que ele fosse? Descreva qualidades.

Muito bem, agora iremos focar no público alvo, que é o usuário do site. O ideal é fazer questões que remetem as emoções diretamente a ele. Para empresas que possuem listas de e-mail pode ser bastante eficaz fazer pesquisas com seu público. Mas para não fugir do nosso tema,  lembramos que o briefing é respondido pelo cliente.

O ideal é que a empresa tenha um plano de negócio que descreva bem seu público. Além das perguntas comuns que definem o perfil do seu público, como posição social, sexo, idade, nível de renda, entre outros, podemos pedir para nosso cliente que dê um nome e descreva seu potencial cliente como uma pessoa comum. João, por exemplo.

Peça também para descrever o que ele, o João, faz, como se diverte, gostos, outras coisas que ele consome, etc. Faça o exercício de dar vida ao seu público alvo através de um representante.

Este exercício é útil porque pessoas de gostos comuns costumam se relacionar e andarem juntas. Basta olhar nas redes sociais. Uma pessoa pode ter comportamentos parecidos com membros de um grupo que ela convive. E sabendo identificar isso pode ser um diferencial.

Mas cuidado com o público que seu cliente descreve em seu plano de negócios . Isso deve ser sempre investigado. O que pode gerar manutenções no site.
Lembre-se: o site nunca estará pronto. Mudanças serão necessárias. Todos envolvidos devem encarar isso como uma evolução do projeto.

Imagine o seguinte cenário:

Você pode construir um site sobre emagrecimento para atender um público de pessoas acima do peso (seu público alvo) e se surpreender ao saber que quem realmente “consome” as matérias do site são pessoas magras preocupadas em evitar aqueles “quilinhos a mais” ou com a saúde de pessoas próximas que estão obesas. Portanto, oriente sempre seu cliente a investigar seu público. Capisce?

Conclusão

Podemos concluir que um projeto que envolva a criação de interfaces para web para conseguir alcançar resultados deve ser previamente estudado antes de iniciar sua produção. E que o briefing é uma importante ferramenta para coletar dados para tal estudo.

Também que não devemos cair na tentação de desenvolver na base do achismo acreditando que sabemos de tudo e que somente com nossas habilidades já será o suficiente trazer resultados.

Outro ponto a considerar é investigar sobre as “dores” tanto do seu cliente, quanto do cliente do seu cliente.

Como BÔNUS CORTESIA você pode clicar neste link para baixar um exemplo de briefing para ser usado como referência.

Se trata de um briefing padrão para construção de web sites (Você pode adaptá-lo para outros tipos de serviços solicitados). Confira abaixo:

Nele você encontrará um questionário tradicional. Mas se deseja extrair questões emocionais ocultas nos problemas de seus clientes você deve adaptá-lo aos pontos levantados neste artigo.

E você? Também utiliza o briefing em seus projetos? Você se preocupa com as frustrações de sues clientes? Compartilhe conosco. Deixe seu comentário.

Até a próxima!

Referências:

As Armas da Persuasão – Como Influenciar e não se deixar influenciar – Robert B. Cialdini

David Arty

Olá. Sou David Arty, fundador do blog Chief of Design.
Sou natural de São Paulo, Brasil. Trabalho com design, principalmente com design para web, desde 2009. Procuro transformar ideias loucas e complexas em peças simples, atrativas e funcionais.

  • Mateus

    Olá David! Estou lendo vários artigos do seu blog. Acho bem interessante suas apresentações, bem fundamentadas e apesar do meu foco ser no design de produto estou tirando bastante proveito dos seus artigos. Parabéns pelo trabalho e sucesso!

    • Olá Mateus.

      Muito obrigado pelos elogios :)

      Forte abraço!