Design, Arte e Futebol

Analisando Design e Arte dentro das quatro linhas

futebolEae! Td bele?

No artigo de hoje eu vou falar sobre três coisa que gosto bastante: Design, Arte e Futebol.

E eu tive essa ideia, um tanto louca, de juntar essas três coisas polêmicas em um artigo, através da Fan Page do Chief.

Eu estava olhando as imagens que temos lá no Facebook no álbum “Frases de Chefe”, onde costumo colocar frases inspiradoras e motivacionais de grandes personalidades, independentemente se são da nossa área ou não, quando vi uma das imagens que mais obtiveram engajamento do pessoal que curtem a página. A imagem contém uma frase do Humberto Teski. Como você pode ver na imagem a seguir ou AQUI NESTE LINK.

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Essa discussão e polêmica sempre existiram: Se design é arte e/ou se o profissional Designer é também um Artista. E às vezes parece até que é como discutir sobre os sexos dos anjos, saka? Mas acho que não seja assim. Creio que existem sim semelhanças e fatores em incomum, porém são coisas distintas.

E é esse meu ponto de vista que irei expor neste artigo. Darei minha opinião sobre tal celeuma. Antes quero enfatizar que não sou Antropólogo e nem Historiador. Minha opinião é baseada no que vivi, estudei e meu jeito de enxergar as coisas. Bele?

Bora começar?

Neste artigo você verá:

O que é Arte?

Falar sobre arte é uma questão complexa e interessante, porque podemos ter várias avaliações dependendo de qual vertente que a pessoa quiser seguir.

Se você perguntar para algum leiloeiro especializado em arte talvez ele te diga que arte é aquela que foi auditada por artistas, curadores, professores e etc, e que estão ou já passaram por galerias e museus.

Se perguntar para outras pessoas alguns dirão que arte é expressão…

Outros dirão que arte é estética…

Outros que arte é emoção…

Enfim…. Não existe definição absoluta. E é até bom que não tenha porque se tivéssemos uma regra absoluta essa regra iria favorecer certos movimentos artísticos em detrimento de outros. Não podemos comparar, por exemplo, Renascimento com Cubismo (acesse o glossário do blog para ver os significados) sem pensar na época de cada um, nas técnicas, na concepção, na singularidade dos artistas, enfim…. Logo isso seria inválido já que arte é algo cambiante e que vive em mutação.

O que foi bizarro ontem, hoje é arte. E o que é bizarro hoje, vai se saber, talvez seja arte amanhã. Nem sempre a arte é somente o que admiramos, o que achamos fantástico. Pode ser também aquilo que não gostamos, que não admiramos.

“Temos a arte para não morrer da verdade.”
Friedrich Nietzsche

Nenhum critério, ou um conjunto deles, que você pode adotar para definir o que é arte será definitivo e inquestionável.
E mesmo assim a arte faz parte da nossa vida, do nosso dia a dia.

E mesmo assim, não conseguindo defini-la com absoluta certeza, a gente consegue reconhecer uma obra de arte, muitas vezes, de longe.

“A arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade.”
Pablo Picasso

Apesar disso tudo, na minha opinião, arte é formada por um conjunto de fatores e que dá sim para diferenciar o que é ou não é arte.
Acredito que arte é expressão, é criatividade, é a busca pelo belo, é sensibilizar quem está vendo ou até mesmo participando dela, é gerar dúvida, espanto, é desestabilizar, é algo que te deixa de boca aberta. Mais é tudo isso SOMADO a um fator primordial: a técnica.

A arte tem todas essas características intangíveis, sim, porém é isso mais técnica. Arte é feita de forma minuciosa, através de um esforço do artista para gerá-la onde foram aplicados técnicas e conceitos em sua concepção.

Se você  olhar só pelo lado intangível da coisa, terá que admitir que essa pichação:

Sem título

Está no mesmo nível desse grafite:

Grafiti

Consegue notar a diferença de “só expressão” para “expressão mais técnica”, Galucho?

E se você achar que pichação é arte, peça para um pichador, pichar o muro da sua casa inteirinho e depois chame sua mãe avaliar a arte! (Dizem que mães sabem de tudo, né ?:P)

Infelizmente hoje em dia, talvez graças ao urinol de Marcel Duchamp (que acho que queria muito mais questionar o movimento artístico da época do que banalizar o termo arte), existe uma ideia de que qualquer expressão é arte. E não é assim. E não é porque não conseguirmos definirmos concretamente o que é arte, que qualquer coisa deve ser encarada como arte.

Fontaine-Duchamp

Se for assim, toda selfie que postamos no Instagram deveria ser encarada como obra prima da “8ª Arte” e todo barulho adquirido através de softwares de computador, mas sem nenhuma técnica musical e com letras compostas a base de palavrões, erros de português, e rimas obscenas, deveriam ser equiparadas as Sinfonias de Bach, né? ( E olha que de opera eu nem entendo nada, viu).

E para fechar o tópico arte, eu vou deixar um curta do cineasta francês Jean-Luc Godard que fala de forma bem objetiva a relação de arte e cultura (ou as suas diferenças).

Bom…. Mas chega de arte por enquanto…Agora chegou a vez do Design. Preparado?

O que é Design?

Essa palavra que é tão dita, e já virou até  pop e cult, é também  um pouco difícil de definir de forma absoluta. A palavra design, se você for ver no dicionário, pode ter vários significados (principalmente se você olhar pelo lado “inglês” da coisa), porém pensando apenas na essência de seu ofício, podemos dizer que basicamente é melhorar a vida das pessoas. (e isso não precisa ser necessariamente algo tangível e eterno).

O design surgiu para suprir a nossa necessidade de regular o meio em que vivemos. Praticamente tudo que usamos, no nosso cotidiano, tem design.
Nós usufruímos do design todos os dias, a praticamente todo minuto. Por isso não é raro ouvir alguém falar “Design é projeto”, porque ele tem uma função, não é só estética.

Design trata intrinsecamente das ligações entre o objeto e o homem. E a nossa, e porque não dizer, inerente capacidade de produzir design vem desde a muito tempo atrás, até porque problemas existem “desde que mundo é mundo” e o design efetivamente trabalha encima de “problemas. ”

E mesmo tendo tal importância ainda não é raro ser considerado por muitos, inclusive por muitos profissionais de comunicação e marketing, como algo apenas decorativo, trivial, “café com leite” (falo mais sobre isso aqui nesse artigo).

Claro que existem áreas do design que são um pouquinho mais variável, (como design de moda, por exemplo) mas não é por isso que se pode se esculachar o design e aplicar esse termo vulgarmente, até porque o estudo do design não deixa de ser uma ciência e pior, uma ciência que promove interações com outras ciências, ou seja, algo totalmente interdisciplinar.

Coisa de louco, né? :)

E agora para terminar bem este tópico, usarei uma frase polêmica:

Design é projeto. :P

Agora que já vimos sobre arte e design, bora juntar os dois?

Design x Arte

Design e Arte muitas vezes são encarados como uma coisa só, e apesar de compartilharem conhecimento e terem semelhanças, como você já deve ter percebido, eles não são iguais. E mesmo  que a etimologia de um fale tal coisa e a de outra tal coisa (esse papo deixa para o professor Mário Sérgio Cortella) …. Na prática mesmo, nós sabemos e vemos dia a após dia que são coisas distintas.

É claro que o design teve, e tem, a influência e ajuda de muitos artistas, arquitetos e etc.

É evidente também que existe uma relação intrínseca entre eles desde o começo.

Uma peça de design pode conter elementos artísticos, e porque não, até ser classificada como uma obra de arte. E uma obra de arte pode ser uma peça de design ao mesmo tempo.

E deste mesmo modo um Designer pode ser também um Artista (vide vários Ilustradores que são Designers por aí) e vice e versa.

Mas design precisa de uma coisa que a arte não necessariamente precisa ter que é a FUNÇÃO.

Quando você vê uma obra de arte, escuta alguma coisa, vê alguma fotografia… Você não pergunta:  “ Ah será que isso tem alguma função?”

Ela pode até ter função, mas se não tiver também não tem tanta importância, porque a arte você simplesmente a SENTE.

Já o design quando é bom a gente mal percebe e sente algo  é porque normalmente algo deu errado. Por exemplo:

Você já deve ter se sentido frustrado ao usar um site onde não conseguiu realizar a pesquisa pelo ingresso do teatro como gostaria. Deve também ter ficado irritado com alguma embalagem que não conseguia abrir e teve que usar a força para rasgá-la e alcançar finalmente o seu produto.

Alguns dirão que arte tem objetivos também como o design, e eu sei que tem, mas para isso vamos fazer um exercício:

Imagine um briefing sendo respondido por  um Artista e um Designer.

No briefing do Artista encontraríamos mais perguntas como:

  • O que eu quero passar?
  • O eu quero que eles sintam?
  • Como eu acho que eles devem sentir?
  • O que eu quero expressar?
  • Qual experiência eu quero que as pessoas tenham?

Enquanto que no briefing do Designer teriam mais perguntas como:

  • O que essa peça deve transmitir?
  • Qual o objetivo dessa peça?
  • Como eu posso melhorar a experiência das pessoas ao usarem essa peça?
  • O que as pessoas gostariam e/ou deveriam sentir ao ver/usar tal peça?

Consegue notar a diferença, Galucho?

Enquanto que arte na maioria das vezes é algo muito mais intimista, uma expressão individual, o design é muito mais empático e trabalha muito mais focado na pessoa que vai usar aquilo que está sendo criado, pensando nela e não priorizando gostos, desejos e questões individuais.

Design, Arte e Futebol

E agora eu vou juntar três coisas que gosto bastante: arte, design e futebol.

Os dois primeiros você já deve ter percebido que eu gosto, né?  Então vou falar um pouco do terceiro:

Eu realmente gosto de futebol. Sempre que posso acompanho todos os jogos do meu time, o Sport Club Corinthians Paulista (vai Corinthians!), mas não é somente os jogos do meu time que eu vejo. Eu assisto (quando tenho tempo) jogos dos rivais, de times de fora…. Enfim…

Só para você ter uma ideia disso, só neste ano eu já vi vários jogos: da Libertadores, da Champions League, alguns do Campeonato Espanhol, Argentino e Inglês e até a final da CONCACAF eu assisti.E isso sem citar dos Campeonatos Estaduais e Copa do Brasil.

E ao longo dos meus 20 e poucos anos eu pude ver vários craques em campo, como por exemplo Romário, Zidane, Ronaldo, Gamarra, Bergkamp, Riquelme, Marcelinho Carioca (esse foi o maior batedor de faltas que já vi), Buffon, Nedved, CR7, Messi (não vi Pelé, mas estou vendo Messi hehe)… E­­nfim… Não dá para citar todos os craques que vi aqui e só coloquei os que lembrei neste exato momento que estou escrevendo o artigo.

Mas existem dois que ainda jogam, estão em final de carreira é verdade, mas que também são verdadeiros craques. O primeiro, mesmo que você não goste de futebol, você deve conhecer que é o Ronaldinho Gaúcho. Esse cara jogou muito. Se tivesse mais empenho e foco seria muito maior do que já é.

O Ronaldinho atualmente está jogando no México no Queretaro FC e recentemente ele fez uma jogada sensacional. Aplicou um rolinho (ou caneta) muito bonita de se ver. Veja o curto vídeo abaixo:

O Ronaldinho “dribla muito” hehe. Se você colocar a mãe dele de chuteira ele dribla ela e não tá nem vendo. E esse lance sensacional já ficou eternizado e será visto por milhares de pessoas e quiçá por gerações.

Só que tem uma questão:

O futebol é um esporte onde o objetivo é fazer o maior número de gols no adversário, certo? E essa jogada não resultou em gol e nem ajudou o time do Queretaro FC a ganhar a partida. Mesmo assim ela ficou eternizada como um dos vários lances bonitos que o Ronaldinho protagonizou.

Na verdade isso nem importa, porque a beleza do lance é o que faz a gente ver e rever o vídeo. Note que o Ronaldinho tinha outras opções para não deixar o adversário roubar a bola. Mesmo assim eu uso sua criatividade, mais técnica e malícia para fazer algo que era até mesmo perigoso e um tanto sem função ser uma coisa admirável. E muitos dos lances mais bonitos do Ronaldinho, ao longo da sua carreira, não resultaram em gols.

Pois bem…

Agora vou falar de outro jogador espetacular. Andrea Pirlo. Esse italiano joga muito.

Veja esse curto vídeo (nem precisa ver todo se preferir, um pouco já basta) com algumas das jogadas dele:

Ao contrário do Ronaldinho ele é menos artístico. Sua função é de distribuir o jogo e criar jogadas de gol. Ele é mais efetivo que o Ronaldinho nesse quesito e na maioria esmagadora das vezes seus passes são em direção ao gol.

Mas não é porque ele é mais pragmático que o Ronaldinho que ele não tem técnica e não cria belas jogadas, pelo contrário, ele tem uma técnica apuradíssima e joga com uma elegância rara.

Eu considero os dois, dentro de cada função e estilo de jogo, craques inquestionáveis.

Mas voltando ao assunto principal deste artigo…Eu te pergunto:

Se fossemos fazer uma analogia dos dois jogadores com Arte e Design. Quem estaria mais para Artista e quem estaria mais para Designer dentro das quatro linhas?

Bom.. E  a resposta desta pergunta eu deixo para você, bele? :D

Conclusão

Definir o que é Arte e o que é Design é algo extremamente difícil. E se nem grandes Artistas, Curadores, Designers, Filósofos, etc; conseguem defini-los, não será eu que vou tentar bater o martelo e falar de forma arbitrária o que é cada coisa. Mas é fato, pelo menos no meu entendimento, que Arte e Design são sim coisas semelhantes e com aspectos em comuns, porém são diferentes.

Acredito que essa falta de definição não deve ser pressuposto para  que qualquer expressão seja considerada arte e  nem que seja vire justificativa para engolirmos tudo o que nos colocam como arte. Porque se for assim, qualquer coisa é arte, eu quero que os meus desenhos do primário sejam  levados para o Museu do Louvre. :P

Como disse, não podemos definir de forma absoluta o que é arte, mas pode ver de longe quando uma coisa é realmente uma arte.

E isso vale para o design também: não é por causa desse debate que se pode banalizar o termo Design.

Design tem parte essencial no mundo moderno e é sim importante para o nosso cotidiano.

E você o que acha? Você pode opinar. Deixe seu comentário abaixo.

Forte abraço.

Até Mais.

David Arty

Olá. Sou David Arty, fundador do blog Chief of Design.
Sou natural de São Paulo, Brasil. Trabalho com design, principalmente com design para web, desde 2009. Procuro transformar ideias loucas e complexas em peças simples, atrativas e funcionais.

  • Humberto Teski

    David, é uma honra um pobre pensador da imagem como eu ser citado em seu texto (aliás, muito bom). Esse debate é antigo e, com certeza, ainda irá durar muitos anos. Além de fotógrafo, sou sócio de uma agência de design, onde participei durante muitos anos como diretor de atendimeno e hoje atuo como conselheiro do grupo.

    Talvez o mais importante nesse debate é que designers, diretores de arte, ilustradores e outros profissionais da imagem entendam que somos parte artistas, artesãos e profissionais contratados contratados para realizar uma função específica para um cliente. Novamente, parabéns pela matéria.

    • Olá Humberto.

      Kraka! Que surpresa boa!!!

      Como você encontrou este artigo? kkkkkk

      Realmente a palavra tem um poder extraordinário!!

      Tal poder que pode servir para o bem, para o mal ou até mesmo para suscitar um debate e depois artigo, né? :D

      E é verdade…Talvez todos os profissionais que atuam com imagem e comunicação tenham um pouco de tudo isso. Mais importante do que uma definição é a possibilidade que temos em mãos de criar coisas que podem fazer a diferença para outros.

      Eu que agradeço por ter vindo até aqui!!!

      Muito obrigado pelo comentário e por compartilhar.

      Abraços!

  • José Lopes

    Essa discussão realmente rende bastante, já vi até uma sobre jogos eletrônicos serem ou não formas artísticas, há quem defenda e a quem discorde.

    • Olá José.

      Se você pesquisar verá que Games e arte digital foram adicionados nas lista de artes ( senão engano agora tem 11).

      Acho que existem games que são verdadeiras artes mesmo porque chegam perto de super produções de cinema.

      Mas no artigo quis defender que não devemos engolir tudo o que nos empurram como arte.

      Obrigado pelo comentário.

      Abrs.